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outubro 13, 2008
Inauguração da série "No Caminho da Evolução"
O paleontólogo e professor do Departmento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Carlos Marques da Silva apresentará nesta quarta-feira (15 de Outubro) às 18 horas a primeira conferência da série "NO CAMINHO DA EVOLUÇÃO".
Entitulada "Darwin: entre a Terra e o Céu", a conferência aberta ao público terá lugar no auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, na Praça de Espanha (Lisboa), com transmissão directa on-line.
Carlos Marques Silva oferece aos nossos leitores um breve resumo do seu tema de quarta-feira:
"Quando pensamos em Darwin e na sua Teoria da Evolução por Selecção Natural vem-nos imediatamente à mente um Darwin biólogo, estudando tentilhões e tartarugas terrestres nas Galápagos... E, no entanto, quer no que respeita aos fundamentos, quer às implicações da Teoria darwinista, a Geologia teve um papel importante. O próprio Darwin, enquanto naturalista, apesar de um primeiro contacto algo desmotivador com a Geologia, acabou por adquirir uma sólida formação geológica de base e desenvolveu trabalho importante no domínio das Ciências da Terra. Efectivamente, é considerado por muitos – nomeadamente pelo próprio e pelos seus contemporâneos – mais um geólogo que um biólogo.
Iniciada a sua notável “voyage” de circum-navegação (1831-36), o primeiro desembarque de Darwin é efectuado em Cabo Verde, na Ilha de Santiago. Aí, num local impiedosamente castigado por um Sol abrasador, o que domina é a Geologia. São, pois, de natureza geológica as primeiras observações do jovem naturalista do HMS Beagle. Muitas outras se seguiriam.
Com base no trabalho realizado durante a sua viagem, Darwin publicou posteriormente diversos trabalhos de índole geológica. Dessas obras, porventura, a mais conhecida é aquela, publicada em 1842, em que, discorrendo sobre a estrutura e a distribuição dos recifes coralígenos, desvenda a origem dos recifes em atol do Pacífico, explicando a sua formação em torno de ilhas vulcânica sujeitas a erosão e a subsidência.
Está bem patente em “A Origem das Espécies” (1859) a influência que a leitura da obra “Princípios de Geologia” (1830-33), de Charles Lyell, cujo primeiro volume lhe foi oferecido por Robert FitzRoy, capitão do Beagle, teve em Darwin. A Teoria da Evolução por Selecção Natural pressupõe a existência de tempo, de muito tempo, do tempo suficiente para as mudanças evolutivas gerarem a biodiversidade que actualmente conhecemos. A assunção, em “A Origem das Espécies”, de um tempo geológico imensamente extenso, aliada a uma visão “uniformitarista” do mundo natural, de acordo com a qual a Terra mudava paulatinamente, ao longo de uma escala temporal vastíssima, segundo processos idênticos -- em natureza e em intensidade -- aos que actualmente vigoram, apoia-se em grande medida da leitura da obra de Lyell.
Por outro lado, a escala temporal a que, segundo a perspectiva darwinista, baseando-se no uniformitarismo de Lyell, a evolução ocorria entrava directamente em conflito com leituras e interpretações cronológicas mais conservadoras dos textos bíblicos. Juntamente com, por exemplo, a questão da “origem simiesca” da Humanidade, este tema suscitou reacções arrebatadas por parte dos sectores mais conservadores da já de si conservadora sociedade vitoriana inglesa da segunda metade do séc. XIX e alimentou variadas e calorosas polémicas."
Enfim, Darwin e a sua Teoria da Evolução, estavam e ainda estão, literalmente, entre a Terra e o Céu."
Publicado por tentilhão às outubro 13, 2008 12:00 PM